sábado, março 31, 2007

"Um pequeno mas forte oásis...
...no deserto lusófono".

Foi assim que defini o projeto de Marisa Kazama, atual reitora da Universidade Comunitária Micronacional - de Pasárgada -, ao anunciar um ciclo de palestras. A própria Kazama enfatizou que o projeto visa relembrar os velhos tempos da UniCL.

Nos dizeres da Reitora:
O tema será "Os Desafios da Gestão Pública Micronacional". Para facilitar o trabalho de todos, pensei em alguns assuntos a serem abordados:

- Monarquias ou Repúblicas: diferentes políticas de incentivo à atividade
- Atividade de qualidade: desafio nas micronações
- Micronacionalismo em crise de criatividade?
- Gestão de projetos micronacionais
- Coordenação da equipe ministerial
- Universidades micronacionais
- Partidos políticos micronacionais
É um desafio, mas uma idéia e tanto. Apesar de, isoladamente, as micronações lusófonas estarem apagadas, ainda detêm - quando observadas em conjunto - um forte potencial intelectual-científico. Em poucas linhas, lembraremos de Felipe Aron, Bruno Crasnek, Filipe D'Feitos, Bruno Cava, Filipe Sales, et coetera. É um time respeitável.

Espero que o evento tenha o total sucesso. Desde já, conta com o apoio deste portal.

quinta-feira, março 01, 2007

B. Anderson no micronacionalismo
Benedict Anderson, sociólogo de nacionalidade britânica - a despeito de ter nascido em solo chinês - é expoente nos estudos de nacionalismo. Seu livro Comunidades Imaginadas posa, ao lado de Nations Before Nationalism (1982), de JA Armstrong e Nações e Nacionalismos desde 1788 (1990), de Eric Hobsbawm, como um dos marcos no estudo da matéria.

A base do estudo de Anderson repousa em sua definição para nação: "uma comunidade política imaginada - e que é imaginada ao mesmo tempo como limitada e soberana". Limitada pois aí reside aí diferença entre o compatriota e o estrangeiro. Soberania que se reflete no "direito de autodeterminação dos povos".

O que aqui nos interessa é a idéia de que a nação não é algo existente ex nihilo, mas algo construído sociologicamente, por meio da mídia e das relações sociais. Em última instância, uma nação só existiria "nas mentes e nos corações de seus cidadãos".

Qual é a razão de um presidente ser reconhecido como tal? Legalidade ou legitimidade, qualquer das situações passa, no mínimo, pela aqüiescência dos membros de sua nação. Os reis da França absolutista o eram pois conseguiam, seja por meio da força ou pela "legitimidade divina", fazer com que seus súditos os vissem como tal.

De tal feita, o micronacionalismo não difere, em substância, da qualquer outra experiência nacional. Sendo em miniatura, sua diferença é em escala. Um Chanceler, Presidente ou Imperador é visto como tal "nas mentes e nos corações de seus cidadãos". Estes títulos não são simulados, são tão válidos quanto o de Presidente do Brasil ou Rainha da Inglaterra. A diferença está na amplitude de seu reconhecimento.

Enquanto quase todo o globo reconhece Elizabeth II como Rainha da Inglaterra, somente os micronacionalistas reconhecem Cláudio I como Imperador de Reunião. Novamente, diferença de escala, não em substância.

Um exemplo factual que mostram escalas de reconhecimento diferentes pode ser visto quando da Revolução Chinesa. Quando Mao Tsé-Tung marchou sobre Pequim e se tornou de facto o líder da China, Chiang Kai-Shek declarou um "governo no exílio" instaurado em Formosa, mas reivindicando soberania sobre toda a China continental. Enquanto Mao era reconhecido pelos países do bloco soviético, os ocidentais ainda reconheciam Taipé como sede provisória de governo. Até 1971, foi o "governo no exílio" da República da China que ocupou o assento permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Esses conflitos mostram que não existia título "mais válido" que outro. Existe escala de reconhecimento, tudo relativo. E isso corrobora com a identidade entre o micronacionalismo - como experiência nacional em miniatura - com as experiências nacionais extra-micronacionais. Corrobora para mostrar que a diferença é de escala, não de substância.
Parceiro:

Editores
Carlos Góes, 20, é brasileiro e pasárgado, micronacionalista desde 2005, graduando em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília, tem experiência micronacional em atuação chancelar e parlamentar, além de acadêmica como articulista de periódicos, palestrante, escritor e Editor-em-Chefe da Revista de Estudos em Micropatriologia.

Bruno Cava, 27, é brasileiro e reunião, micronacionalista desde 2000, Engenheiro pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica e graduando em Direito pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, foi responsável pelo lançamento da Comunidade Livre de Pasárgada, micronação que rompeu com elementos do paradigma dominante da Lusofonia, além de ser entusiasta de longa data de projetos de micropatriologia.

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