domingo, novembro 19, 2006

Foucault x Habermas ou Foucault + Habermas?
A última nota de Bruno Cava neste blog, logo abaixo desta, com discurso claramente inspirado pela obra de Foucault, colocou-me uma questão: será que as premissas expressas que traduzem a idéia do exercício de poder em toda a teia de relações sociais é, no micronacionalismo, completamente contrária ao cenário habermasiano ou será possível adaptá-las para sua mútua convivêncua?

Primeiro, um ponto há de ser colocado: em momento algum expressei que a situação ideal de fala existe, mesmo no micronacionalismo. Tampouco considerava Habermas - quando escreveu a Teoria do Agir Comunicativo (TAC) - ser este modelo existente. Exatamente por isso que qualficou-o como ideal.

Coloquemos duas características principais da TAC que serão úteis para este argumento. Habermas afirmava, que em uma situação ideal de fala existem ao menos dois pré-requisitos: a) todos os cidadãos têm a possibilidade de expressar; e b) somente o argumento racional será considerado.

Quanto à primeira característica, se coloca clara a liberdade de colocação de argumento que proporcionam as listas públicas micronacionais. Aceitando que existem diferenciados níveis de poder simbólico pontencial dos agentes, a observação empírica nos mostra que quando um argumento de qualidade é colocado em lista pública é muitas vezes aceito. Enfatize-se que não devemos aqui buscar um sentido positivista de racionalidade, sendo razão a compreensão das "leis absolutas e universais" que regem determinada a vida social, mas considerando o argumento racional como aquele julgado como satisfatório pela maior parte dos pares do agente social.

Quantas vezes vimos novatos serem acusados de paplismo pela dúvida dos demais cidadãos, pois realizavam um bom papel, com boas e novas idéias, por aparentarem conhecimento das regras da nação tão bom quanto o de antigos cidadãos? Obviamente, existe desnível em poder simbólico potencial, como argumenta Bruno cá em baixo. Entretanto, a despeito de tal desnível, a possibilidade de tornar um argumento satisfatório é muito mais claro no micronacionalismo que extra-micronacionalidade.

Por que seria o micronacionalismo mais próximo à situação ideal de fala que a realidade extra-micronacional? Isto se dá pois os elementos de poder potencial são quasi-exclusivamente simbólicos, não existindo o poder material potencial. Além da violência física, já citada pelo Bruno, carece o micronacionalismo de outros elementos como a riqueza ou a beleza. As relações estão muito mais focadas na palavra, no argumento, do que acontece extra-micronacionalmente.

As relações de poder sempre existirão. Entretanto, o modelo pelo qual se dá o micronacionalismo contemporâneo o empurra para mais próximo da situação de fala - sem, todavía, alcançá-la.
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Editores
Carlos Góes, 20, é brasileiro e pasárgado, micronacionalista desde 2005, graduando em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília, tem experiência micronacional em atuação chancelar e parlamentar, além de acadêmica como articulista de periódicos, palestrante, escritor e Editor-em-Chefe da Revista de Estudos em Micropatriologia.

Bruno Cava, 27, é brasileiro e reunião, micronacionalista desde 2000, Engenheiro pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica e graduando em Direito pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, foi responsável pelo lançamento da Comunidade Livre de Pasárgada, micronação que rompeu com elementos do paradigma dominante da Lusofonia, além de ser entusiasta de longa data de projetos de micropatriologia.

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